A Tribuna Livre da Câmara Municipal de Cláudio também foi utilizada, durante a sessão plenária desta semana, pelo presidente da Comunidade Vem Ser, Jairo Luiz de Souza Gregório, que apresentou informações sobre as despesas da instituição, agradeceu os recursos destinados pelo poder público e pediu aos vereadores que mantenham a entidade entre as contempladas pelas próximas emendas parlamentares.
Em uma participação marcada pela prestação de contas e pelo diálogo com os representantes dos poderes Legislativo e Executivo, Jairo lembrou que já esteve outras vezes na Câmara com a mesma finalidade. Desta vez, segundo ele, agradecimento e pedido acabaram reunidos na mesma manifestação.
“Antigamente era melhor: eu vinha para agradecer, depois vinha pedir. Agora eu venho para agradecer e pedir”, comentou.
De acordo com os números apresentados pelo presidente, a entidade acumulou R$ 245.797,58 em despesas até 31 de agosto. Jairo informou ainda que, conforme projeção feita com o auxílio da contabilidade da instituição e considerando uma estimativa inflacionária, os gastos para um período de 12 meses no próximo ano podem alcançar aproximadamente R$ 385 mil.
Ao explicar a realidade financeira da instituição, ele afirmou que os custos são permanentes e que também existem dificuldades para promover ações próprias de arrecadação. Diante disso, agradeceu individualmente aos vereadores pelo apoio já recebido e pediu que a Comunidade Vem Ser continue sendo considerada na distribuição das emendas impositivas.
Jairo também falou sobre a realidade das pessoas acolhidas e das famílias que convivem com a dependência. Segundo ele, existem situações em que os familiares chegam ao limite das possibilidades de acompanhamento e precisam recorrer ao apoio de instituições que atuam nesse atendimento. “É uma doença muito séria”, afirmou, ao defender a continuidade da participação do poder público na manutenção das atividades.
Presente à sessão, o prefeito José Rodrigues Barroso de Araújo, Zezinho (MDB), também se pronunciou. Ele afirmou que a atual administração encontrou as comunidades terapêuticas vinculadas à Chefia de Gabinete e disse não ter condições, naquele momento, de afirmar qual foi o fundamento utilizado para a alteração realizada anteriormente.
O prefeito, porém, comprometeu-se a verificar a questão. Segundo Zezinho, caso a legislação permita uma mudança de vinculação para a área da Saúde, o Executivo poderá adotar as providências necessárias e encaminhar eventual proposta à Câmara.
A manifestação não representou uma decisão imediata sobre a mudança. A medida dependerá de análise jurídica e dos procedimentos administrativos e legislativos cabíveis.
Na sequência, o presidente da Câmara, Simental (Avante), avaliou como importante a discussão levantada durante a Tribuna Livre. Ele lembrou que a questão também pode alcançar outras instituições que atuam no mesmo segmento, citando a Comunidade Desafio Jovem, e afirmou que, caso a alteração seja legalmente possível, a medida poderá facilitar a destinação de mais recursos às entidades.
Ao encerrar sua participação, Jairo agradeceu as manifestações feitas pelos vereadores e pelo prefeito e procurou dividir o reconhecimento recebido com todos os envolvidos na manutenção da instituição e com o próprio poder público. “Eu sou só parte, sou um tijolinho nessa construção”, resumiu.
Frederico Amorim (Avante) falou sobre o acolhimento oferecido às pessoas que chegam à instituição em momentos de dificuldade e reconheceu o envolvimento dos responsáveis pelo atendimento. Ele também afirmou que seu mandato permanece à disposição para colaborar com a Comunidade Vem Ser.
Nas manifestações em plenário, também foi ressaltado que o aumento do número de entidades que buscam recursos municipais torna necessária a divisão dos valores disponíveis, reduzindo, em alguns casos, a quantia destinada individualmente a cada instituição. A busca por recursos junto a deputados foi citada como uma das alternativas para complementar os repasses municipais.
Maurilo do Sindicato (PL) também abordou essa realidade. Ele lembrou situações anteriores em que entidades do município enfrentaram dificuldades financeiras e receberam apoio após articulação entre Câmara e Prefeitura. Ao falar das emendas impositivas, explicou que procura distribuir os recursos entre diferentes instituições, mesmo quando isso significa destinar valores menores a cada uma. “O dinheiro aqui não é meu, é do povo”, afirmou, ao defender a distribuição dos recursos disponíveis entre as entidades.
Maurilo também considerou relevante a discussão sobre a possível vinculação das comunidades terapêuticas à Saúde. Para ele, se houver possibilidade jurídica, a medida poderá ampliar as alternativas para que os vereadores direcionem recursos a essas instituições.
Rosângela Diretora (PSDB) destacou as dificuldades próprias do trabalho voluntário e recordou uma visita feita à Comunidade Vem Ser. A vereadora afirmou que encontrou a instituição organizada e disse que pretende continuar colaborando, inclusive por meio da articulação com deputados para a obtenção de novos recursos.
Nivaldo do Corumbá (PDT) ressaltou a dificuldade enfrentada pelas entidades para manter suas atividades e captar recursos. Ele confirmou que pretende continuar contribuindo dentro das possibilidades do mandato e também se colocou à disposição para buscar apoio junto a outros parlamentares.
Kaká Amorim (Republicanos) chamou atenção para a responsabilidade assumida pelos dirigentes e demais integrantes da instituição no acompanhamento das pessoas acolhidas. Para o vereador, o trabalho envolve não apenas a manutenção financeira da entidade, mas também responsabilidades relacionadas diretamente às pessoas que permanecem sob seus cuidados.
A manifestação foi seguida por pronunciamentos de vereadores. Darley Lopes (PDT) lembrou que Jairo tem recorrido à Tribuna Livre ao longo dos anos para prestar contas e agradecer os recursos recebidos. O parlamentar relatou ter visitado a instituição e conversado com familiares de pessoas acolhidas. Também reafirmou o compromisso de continuar colaborando e de buscar meios para ampliar o apoio destinado à entidade.
Geraldo Tindora (PSB) agradeceu o trabalho desenvolvido por Jairo e pela equipe e afirmou que a instituição poderá continuar contando com seu apoio.
Já Fernando Tolentino (PSDB) levou a discussão para a forma como as comunidades terapêuticas estão administrativamente vinculadas ao Município. Segundo o vereador, atualmente elas estão relacionadas à Chefia de Gabinete, situação que, em sua avaliação, pode dificultar a indicação de recursos provenientes de deputados estaduais e federais, uma vez que as emendas normalmente precisam estar associadas a áreas específicas da administração. Fernando informou que já havia tratado do assunto com representantes do Executivo e defendeu uma análise jurídica sobre a possibilidade de alteração dessa vinculação. Para ele, caso seja legalmente possível enquadrar novamente essas instituições na área da Saúde, poderiam surgir novas possibilidades de captação de recursos. A questão recebeu manifestações favoráveis à análise por parte de outros vereadores, sempre condicionada à existência de respaldo legal.















