A rotina de quem precisa estacionar para trabalhar, fazer compras ou resolver uma tarefa no centro de Cláudio esteve no centro da audiência pública realizada pela Câmara Municipal, no dia 23 de setembro, quarta-feira. Comerciantes e moradores ocuparam o plenário para relatar dificuldades com o estacionamento rotativo e apresentar sugestões para seu funcionamento.
Participaram da audiência oito vereadores. O presidente da Câmara, Simental; Frederico Amorim, que conduziu os debates; Kaká Amorim; Evandro da Ambulância; Maurilo do Sindicato; Nivaldo; Rosângela Diretora; e Tindora do Chico Vilaça. Darley Lopes, Fernando Tolentino e Kedo Tolentino estiveram ausentes. Darley enviou um ofício para justificar sua ausência.
O prefeito José Rodrigues Barroso de Araújo e a vice-prefeita Patrícia Alves Lopes Araújo foram convidados, mas não compareceram. Entre os demais convidados, estiveram presentes a presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Jaqueline Aiala, e o presidente da Subseção da OAB em Cláudio, Fábio Sérgio Oliveira Ribeiro.
Também não compareceram os três representantes do Executivo convocados para a audiência: Amilton José Rabelo, chefe do Departamento Municipal de Gerenciamento e Fiscalização de Trânsito; Manoel Assis Salomé Neto, secretário municipal de Obras; e Nágila Aparecida Azevedo, chefe da Guarda Municipal.
Frederico lamentou as ausências e, ao fim da reunião, pediu à Presidência da Câmara que examine as medidas cabíveis em relação aos convocados. Na abertura, foi lido um ofício do prefeito com considerações sobre a implantação do rotativo.
Entre as preocupações mais frequentes estavam o uso do aplicativo, a sinalização e o medo de multas. Isadora, uma das participantes, afirmou que há pessoas que evitam ir ao comércio por não compreenderem como usar o sistema ou por receio de serem autuadas. Ela sugeriu ampliar o período de tolerância de 15 para 30 minutos, reduzir tarifas e ruas abrangidas, retirar a cobrança aos sábados e limitar o funcionamento ao período das 9h às 17h. Também pediu agentes nas ruas para orientar os motoristas e talões como alternativa ao aplicativo.
Entre os vereadores, houve manifestações favoráveis à existência do rotativo, acompanhadas de pedidos de mudança. Tindora falou sobre o receio de motoristas de estacionar no centro. Evandro questionou a inclusão de determinadas ruas. Nivaldo e Rosângela defenderam ajustes, enquanto Kaká ressaltou a necessidade de ouvir os comerciantes. Simental levantou dúvidas sobre a aplicação das multas. Maurilo colocou-se à disposição para buscar soluções e deixou a reunião antes do encerramento por ter outro compromisso, conforme registrado na ata.
Ao fim da audiência, Evandro mencionou a possibilidade de a Câmara propor a suspensão temporária do sistema. Tindora apoiou essa medida, e Frederico sugeriu uma suspensão por prazo determinado, seguida de reavaliação pelo Executivo.
A audiência foi encerrada sem decisão de suspender o rotativo ou alterar suas regras. As reclamações e propostas ficaram registradas na ata e dependem de análise e encaminhamentos posteriores.
A comerciante Cátia disse que considera o rotativo necessário, mas defendeu mudanças diante das dificuldades enfrentadas pelas lojas. Sugeriu mais tempo de estacionamento e valores diferentes conforme a rua. Maicon também afirmou não ser contrário ao sistema e propôs tarifas menores enquanto a população recebe orientação. Outras manifestações incluíram pedidos de adiamento da implantação, suspensão ou extinção do rotativo.
Moradores questionaram ainda a quantidade de vagas para idosos e pessoas com deficiência, a fiscalização do uso dessas vagas, a localização de placas e os valores das multas. Alguns pediram o cancelamento das autuações já aplicadas. Também houve críticas à presença do veículo usado para fiscalizar o rotativo e menções a outros pontos do trânsito que, na avaliação dos participantes, exigem atenção, como o encontro da Avenida Coronel Joaquim da Silva Guimarães com a MG-260 e a Avenida JK.
Jaqueline Aiala informou que a CDL ouviu comerciantes, reuniu reclamações e apresentou um diagnóstico ao Executivo. Segundo ela, os dados colhidos indicam efeitos sobre o movimento das lojas, a permanência de clientes e o faturamento. Jaqueline ponderou que não é possível atribuir toda queda nas vendas ao rotativo, já que outros fatores também influenciam o comércio. Defendeu que as demandas coletivas sejam analisadas e que as regras passíveis de melhoria sejam ajustadas.
Fábio Sérgio Oliveira Ribeiro relatou que a OAB passou a receber reclamações recorrentes sobre multas e sinalização. Segundo levantamento citado por ele, a ocupação das vagas foi de 18% no primeiro mês do sistema. Fábio mostrou uma situação em que, conforme afirmou, recebeu uma multa após estacionar próximo a uma placa que indicava o início da área do rotativo. Ele sugeriu suspender o sistema até a elaboração de um novo projeto de engenharia de trânsito.















