As medalhas no peito das crianças chamaram a atenção dos vereadores durante a participação do projeto Pequenos Samurais na Tribuna Livre da Câmara Municipal de Cláudio, na segunda-feira (21). À frente da iniciativa, Maurício Castaldi e Adriana Cristina Meneses Castaldi apresentaram o trabalho desenvolvido desde 2023 e falaram sobre as dificuldades para manter as aulas gratuitas.
Paulistano e morador de Cláudio há 23 anos, Maurício contou que desejava levar o jiu-jitsu à cidade desde que chegou ao município. Com o tempo, graduou-se faixa marrom e passou a atuar como instrutor. O projeto recebe apoio técnico da equipe Caveirinha, de Belo Horizonte, e oferece aulas a crianças, adolescentes e adultos. Segundo Maurício, há cerca de 20 alunos atualmente, embora o atendimento já tenha se aproximado de 100 em outro período.
Maurício afirmou que o jiu-jitsu é uma oportunidade para ensinar disciplina, respeito e convivência. Também relatou a participação dos alunos em competições regionais, nacionais e internacionais. Uma das viagens levou 30 crianças à Copa de Ubatuba, em São Paulo. Com apoio da Secretaria Municipal de Esportes, da ASIMEC e de empresas parceiras, elas puderam conhecer o mar pela primeira vez.
Os vereadores reconheceram o trabalho apresentado e manifestaram disposição para ajudar. Darley Lopes sugeriu que os 11 parlamentares participem da apresentação de um projeto para declarar a iniciativa de utilidade pública. Também anunciou a intenção de destinar parte de suas emendas impositivas ao Pequenos Samurais, após o cumprimento das exigências necessárias. Durante a sessão, outro vereador ofereceu o pagamento da internet do espaço por um ano.
Geraldo Lázaro (Tindora) convidou Maurício e Adriana para conversar sobre formas de buscar recursos. Evandro da Ambulância, Nivaldo e Rosângela Diretora também manifestaram apoio. Maurilo do Sindicato e Frederico Amorim falaram sobre a possibilidade de destinar emendas ao projeto no próximo ano. Kaká Amorim destacou o alcance do trabalho para as famílias e ouviu de Maurício informações sobre o número de alunos e os desafios para manter a participação das crianças.
Ao encerrar o debate, o presidente da Câmara, Simental, informou que analisou a documentação com o setor jurídico.
Segundo ele, como o registro da entidade ocorreu em 11 de agosto, o projeto de utilidade pública poderá ser apresentado após o prazo de seis meses, em fevereiro. Simental disse que pretende indicar recursos ainda neste ano para possível disponibilização no próximo e anunciou a intenção de destinar entre R$ 5 mil e R$ 10 mil de sua parte.
O projeto funciona no primeiro andar do prédio da Casa Rios, na área central, e mantém aulas às segundas e quartas-feiras, às 19h. Maurício contou que uma família da comunidade de São Bento deixou de levar os filhos devido à distância. Para ele, antes de ampliar o atendimento a outras localidades, é preciso assegurar a continuidade das atividades na sede atual.
Adriana explicou que as despesas mensais com aluguel, água e energia chegam a aproximadamente R$ 2.500. Segundo ela, o espaço ainda precisa de internet e câmeras para registrar os treinos, revestimento de proteção nas paredes e quimonos para alunos cujas famílias não podem comprá-los. “Eu acho injusto a gente não poder ter uma criança dentro do projeto por falta de um quimono”, afirmou.
Ao retomar a palavra, Maurício disse que não cobra pelas aulas e que, em alguns meses, precisa pagar despesas do projeto com recursos próprios. Ele relacionou essa escolha à própria infância, quando queria praticar a modalidade, mas sua família não tinha condições de custeá-la. “Quando pequeno eu queria e meu pai não tinha condição. Hoje eu quero proporcionar isso àqueles que não têm”, disse.















